Ela caminhou, os ossos tremendo com o frio da neve. Ao seu lado, a figura alta segurou o capuz para que não voasse. Já andavam há bastante tempo – apesar de nenhum dos dois saberem quanto – quando pisaram na superfície congelada de um lago no centro da floresta fechada. A garota parou imediatamente.
- Está sólido, – a voz da figura encapuzada reverberava, profunda – este gelo nunca derrete.
A menina exitou, mas deu um passo para o centro do grande espelho de gelo. Ganhou um pouco de confiança e chegou ao centro. A figura permaneceu na borda.
- Você não vem?
-Aqueles como eu não pisam em memórias.
Ela olhou para baixo. Pequenos peixes dourados nadavam lentamente abaixo do vidro gélido.
-E o que eu faço?
-Você lembra.
As palavras não faziam sentido para ela. “Lembrar do que?”, passou por sua mente. E o gelo trincou sob seus pés. O barulho foi como um choro, um grito, ao mesmo tempo de desespero e felicidade. Ela ajoelhou-se e viu nas rachaduras seu próprio reflexo.
Mais um segundo e a menina viu uma bola rolando ladeira abaixo na rua de pedras batidas enquanto o gelo cedia mais e água começava a verter. Ela sorriu enquanto via seu aniverásio entre tantos amigos. Olhou para o lado: a água começava a molhar suas calças enquanto ela entregava trabalhos de escola.
Ela esticou os braços, tentando tocar o seu primeiro beijo – agora tão distante – e verteu uma lágrima ao ver o mesmo menino virar as costas pela última vez. Suas mãos tocaram o gelo e sua primeira briga verdadeira: ela agora nadava e via as nuvens passaram por ela em sua primeira viagem, mergulhava ouvindo os ecos de sua primeira declaração de amor.
O fundo do lago era mais claro que a superfície: ela viu cada um de seus namorados, viu os diplomas e deixou a água mais salgada ao enterrar seu pai mais uma vez. Viu os empregos, passou por inúmeros chefes, relatórios e promoções. Ar não parecia ser um problema.
Os peixes ao seu redor se transformaram em um filho, e as pedras no fundo viraram um divórcio. Ela desviou e nadou para o lado, vendo as namoradas do filho e suas madrugadas em claro, doente. Abraçou-se ao ve-lo sair de casa: ela estava sozinha. Fechou os olhos e deixou-se chorar.
Agora mulher, ela abriu os olhos enxarcada e no meio de um campo gramado. As roupas de menina eram agora um longo vestido. Ao seu lado, a figura.
- Satisfeita?
- Sim.
A figura levantou um braço gélido e a tocou no ombro.
A menina abriu os olhos e acordou sobressaltada. Ao seu lado, a máquina de diálise fazia seu som grave e contínuo. Ela deixou as lágrimas escorrerem.
Ela sonhava com ter uma vida para lembrar antes de morrer.
Inspirado por/em resposta a Ainda Morremos por um Homem
Somos senhores de nosso universo. Cada homem (no sentido masculino da palavra) é rei de seu próprio castelo, é controlador absoluto daquilo que ele considera seu: a bola, o computador, a casa, a empresa, o mundo. É nosso. Melhor: é meu, ou é seu, nada nunca é dividido num mundo onde o controle é o objetivo. Mas fraquejamos.
Em cada buquê de flores que levamos, em cada chocolate comprado, em cada jóia e cada elogio. Fraquejamos, sentimos falta, queremos agradar, construir mais um império ao redor delas, só para que seja um presente. Somos românticos, somos distantes. Somos nós mesmos e todos os outros, a rédea e a rede, o carinho e a bronca, o mal e o bem, o querido, o desejado, o malquisto, o fraco, o incompleto…
Somos a outra metade.
Elas queimaram sutiãs, fizeram revoluções. Podem votar, ter empresas, filhos sozinhas, estruturas que antes nos eram reservadas: nós mudamos nosso impérios para que elas pudessem ter os delas. E tantas mulheres o fizeram: conquistaram mais do que muitos homens sonhavam, tem impérios, rédeas e redes, belezas e fraquezas, espinhos e perfumes, venenos e panacéias. Elas se tornaram iguais a nós. Só para continuarem sendo exatamente o que eram.
Mas só por que nós continuamos sendo o que éramos.
Quem liga para todos os sutiãs queimados quando elas continuam aos nossos pés? Quem liga para todos os impérios que construímos quando continuamos aos pés delas? E quem liga pra tudo isso quando ainda há aqueles que não tem ninguém nos pés, nem estão nos pés de ninguém? Há milhares de pessoas caindo das margens da sociedade, em pares que simplesmente não faziam sentido quando sutiãs foram queimados. Há milhares de pessoas singulares e solteiras, que não seguem os planos de impérios de qualquer tamanho. Há centenas de exceções para todas as regras e nós, meras partes da coisa toda, querendo decidir se vestidos brancos são damas de ferro ou presentes sublimes, ou definir se carros esporte são necessários ou acessórios?
Nós continuamos sendo metades. Homens (como um sexo) continuam precisando de mulheres (como outro sexo). Essa é a humanidade, a parte biológica e inescapável de tudo. Se você vai se derreter (ou deixar de) por uma menina de piercing, um cara com camisa xadrez, ou por absolutamente nada, isso é para você decidir e lidar. Encontre quem/o que (ou o plural disso) amar e continue a partir daí.
O resto, como dizem, é história.
Humanos… sempre querendo marcar os fatos com sutiãs queimados ou pregos em pulsos. Nossa vã filosofia já foi tão mais capaz…
Eu sou um espião.
Começou como curiosidade: um segredo descoberto, uma senha fácil de quebrar, um lugar fácil de invadir. Eu não roubava nada, eu apenas desvendava segredos de mega-corporações sem rosto. Era empolgante: falhas de segurança por todos os lados, pessoas com quem falar, segredos a serem trocados com outros curiosos – não nos chamávamos de espiões na época.
Foi então que as coisas ficaram mais complicadas: dicas começavam a chegar por todos os lados – a maior parte falsa. E pequenos “presentes” sempre que eu conseguia um segredo ou outro.
Contatos começavam a aparecer em meus emails, convites estranhos em redes sociais, gente que parecia me conhecer desde sempre. Vizinhos novos apareceram, e eu podia jurar que eles passavam tempo demais cuidando do jardim.
Logo ficou claro que eu teria de escolher um lado, ou eu seria dispensável para todos. Primeiro por ideologia: a companhia que poluísse menos, que cuidasse melhor dos clientes, que fosse melhor para o mundo. Mas quanto mais eu descobria, mais parecidas elas eram: corporações cuidam de si, e de mais nada.
Neste mundo, cada um escolhe o seu caminho e nenhum deles é certo: todos estamos jogando o jogo das corporações. As cartas, o tabuleiro e os dados são deles. Resta a nós, peões, nos mexermos.
Alguns colegas (ninguém é amigo de ninguém aqui) decidiram acabar com o jogo: roubam projetos, destroem sistemas. Alguns até “apagam” pessoas. Eu? Eu vou onde os enigmas me levarem.
Eu sei que há muito mais segredos do que eu conheço. E sei que nunca vou saber toda a verdade. É um grande jogo. Talvez grande demais.
Se você não entendeu, isso é parte de um jogo. Não entenda como qualquer coisa além disso.
In the town where i was born
Lived the man, who tweeted the sea.
And he posted all his life in the land of 4chan.
So we saild up to the forums, ’till we found the /b/.
And we lived beneath myspace, with our yellow forumnites.
We all live in a dirty forum page,
Dirty forum page,
Dirty forum page…
All my friends are all aboard,
Many more of them, are just anonymous.
And the band, pirates away…
Algumas coisas me remetem a tempos passados.
Alguns tempos passados são desejados, outros evitados.
Alguns, nós evitamos desejar, ou desejamos evitar.
Meu passado era sozinho.
Além de ambos terem criado uma imensidão de músicas que eu não suporto, mas serem altamente copiáveis por pessoas que fazem algo extraoridinário com músicas alheias, Lady Gaga e Justin Bieber tem em comum também o advogado: Kenneth Feinswog.
Eu juro que ainda não descobri se isso é um nome de homem ou mulher, mas o ser está no momento processando a editora Bluewater por uso indevido da imagem dos músicos nas biografias não-autorizadas deles.
A parte engraçada (na minha opinião) é ele ter perdido um processo parecido na década de 90 para as bandas New Kids on the Block e Motley Crue; Não menos divertido é o mesmo advogado ter registrado mais de 200 trademarks, entre elas algumas de empresas de quadrinhos.
Para mim, é pior para Lady Gaga e para o Bieber, para quem faria bem um pouco de digulgação no geek world. Mas essa é uma opinião de um geek…
Sim, esse é um blog de coisas aleatórias. Como tal, dou-me o direito de postar aqui qualquer coisa bizarra que me venha à mente. Dessa vez, a coisa bizarra que me veio à mente é um case de HD feito a partir de um livro.
Bem, como esse é um projeto um bocado bizarro, o certo seria listar todos os motivos pelos quais o projeto deveria ser feito:
- O visual vai ficar muito legal
- Não há nenhum motivo para não fazer.
Com todos os motivos fortemente explicados e embasados em ciência, mãos à obra!
Há de se dizer que minhas fotos (e, possivelmente, as explicações) estão menos do que ótimas. Então, se algo não estiver claro, olhe este excelente bologpost da Heather Rivens, que tirou fotos de absolutamente tudo, num projeto muito semelhante.
1: Materiais
São materiais relativamente simples, mas é bom juntar tudo antes de começar.
- HD de notebook, qualquer tamanho, interface SATA (consiga um aqui). Pegue somente o HD, a gaveta nós vamos construir.
- Um conector Sata/USB, o menor possível. Eu usei um que consegui noDealExtreme.
- Um livro de tamanho adequado. Tem que ser maior que o HD, a partir daí, use o quão grande quiser. De preferência, para a sua sanidade, use um de capa dura
- Pincel
- Cola branca
- Estilete (um bem afiado)
2: Trabalho
1: Marque o seu livro.
Se você usou o adaptador que sugeri, ele veio com uma conveniente caixinha colorida. Eu simplesmente marquei os cantos e depois tracei linhas que os ligassem.
Do lado que você quiser que seja a parte de baixo (ou seja, onde o cabo vai passar) eu deixe um centímetro extra. Assim temos algum espaço de manobra para encaixar o plugue no HD sem forçá-lo para dentro.
Obviamente, você pode escolher que o cabo saia de qualquer lado do livro, mas, em retrocesso, entendo que o de baixo seja o menos adequado: apesar de parecer natural, você não vai poder colocar o seu novo HD-com-síndrome-de-livro na estante sem forçar o cabo.
Em seguida verifiquei se não havia feito nenhuma besteira (medi o HD nas marcações que fiz) e vi qual seria o tamanho necessário para o plugue, assim pude marcar espaço para ele também. Faça a mesma coisa, mas você não fez besteira, certo?
A parte importante aqui é garantir que o plugue seja mensurado a partir do espaço de 1cm que deixamos para o HD, assim a folga valeria de verdade.
Marque a parte de trás do plugue (como você pode ver, eu fiz isso de maneira bem precária) e trace a linha dele, paralela à marca do topo do HD. nesse passo eu já sabia qual seria o desenho da caixa que eu deveria recortar em passos futuros.
2: Encape e Cole seu Livro
Antes de cortar as páginas, é necessário dar a elas alguma resistência. Para isso, colamos as páginas do livro com uma solução 50-50 de cola/água. Mas, antes disso,é necessário encapar o livro, para que a capa e o resto não colem onde não devem.
Separe algumas páginas no começo do livro (eu deixei o índice) e, usando um plástico fino, encape-as junto com a capa. Faça isso com ambas as capas do livro. Tenha certeza de prender bem, assim, você não gruda todas as páginas e desperdiça um livro perfeitamente bom. Se você seguiu meu conselho e usou um livro de capa dura, esse passo vai ser bem menos dolorido do que foi para mim…
Eu usei Silver tape para encapar a coisa toda. No final, descobri que isso é um exagero e que um bom durex teria feito o trabalho perfeitamente bem. Além disso, o Silver tape causou alguns danos colaterais posteriores no livro, o que eu aposto que você não quer que aconteça com o seu livro.
Ambas as capas devidamente presas em plástico? Ótimo, o trabalho mal começou.
Agora é a hora de separar uma camada do livro, um pouco maior do que a maior parte da parte do conector que prende no HD. A foto ficou um pouco ruim, mas a idéia é que sobrem algumas páginas além da altura necessária para que o conector fique confortavelmente instalado no fundo do livro.
O que a foto mostra é o meu deck Garça segurando a parte de cima do livro enquanto eu definia quanto livro eu deixaria para baixo.
Basta colocar uma folha plástica enorme entre as camadas de livro diferentes. Dobre-as de maneira que o livro segure as pontas com o próprio peso. Com isso, a parte de baixo vai ficar encapada duas vezes: a capa (que você encapou há pouco) e a enorme folha plástica dobrada.
Com isso, podemos começar a parte suja: tenha certeza que a sua área de trabalho está devidamente coberta de plástico e, num copo, faça uma mistura 50/50 de água e cola. Use um pincel para espalhar levemente sobre as páginas do livro. Dê algumas demãos em cada uma das faces. Quando terminar, use um papel higiênico para secar as gotas que ficarem para fora, tomando o cuidado para não colocar pressão, ou vc pode acabar puxando cola que tem que ficar entre as folhas. Isso é importante para o acabamento.
Agora coloque o seu livro em uma superficie horizontal estável e coloque peso sobre ele. A idéia é impedir que as folhas se soltem ou inflem com a cola. Eu usei uma maleta de fichas de pôquer. Sim, aquelas coisas PESAM. Deixe descansar por algumas horas. Preferencialmente, por uma noite toda.
Depois, mude o lado que está protegido pelo plástico e repita o processo: misture a água e a cola, molhe as páginas do livro, seque o excesso externo, coloque um peso grande sobre o livro, deixe descansar. É um processo simples, mas cansativo.
Quando isso tudo terminar, você deve ter um belo livro com duas camadas coladas independentemente. Ótimo, hora de cortar!
3: Corte o seu Livro
Use uma régua para ajudar enquanto você corta as páginas do livro, começando no sentido da leitura. Não tenha pressa. Cortar várias páginas de uma vez pode parecer uma boa idéia, mas isso acaba estragando os cantinhos do livro.
Falando nos cantinhos, tome muito cuidado com eles. É muito fácil errar e muito difícil de corrigir. As folhas, depois de cortadas, devem se soltar facilmente. Se você tiver que fazer alguma força para tirar a folha, prefira cortar mais.
Siga fazendo isso com cuidado, folha por folha. Quando você chegar na metade (e cortar o plástico), começe a tomar mais cuidado. A idéia é não cortar mais do que o necessário, então, pode ser uma boa medir a profundidade do que você já cortou usando o seu conector USB (que muitas vezes é mais alto do que o HD propriamente dito). Parq euando você estiver satisfeito com a profundidade.
Isso feito, é hora de fazer a canaleta para o cabo do HD passar. Desculpe, mas eu não consegui uma foto decente disso. Mas é bem simples: separe as duas partes coladas do livro. Agora marque, na parte de baixo, uma largura suficientemente grande para o cabo do seu conector passar com folga. A folga é algo bem importante, você já vai ver porque.
4: Feche o seu livro
Passos finais! Cubra bem os conectores do seu adaptador USB (eu usei o mesmo plástico que estava segurando a capa). Encape também com plástico a parte do fio que vai ficar entre as páginas do livro. Lembre de deixar uma quantidade significativa de plástico sobrando nas pontas, assim teremos por onde puxar o plástico depois que o livro estiver pronto.
Isso feito, passe uma quantidade generosa de cola entre as camadas do livro e junte as duas partes. Do mesmo jeito que você passou a cola do lado de fora, pincele o lado de dentro do livro para juntar e fortalecer a parte de dentro.
Mais algumas horas debaixo do seu objeto esmagador de livros favorito e pronto! Basta arrancar o plástico dos conectores, da capa e do cabo e é só usar o seu mais novo case de HD alternativo!
Hello, earthlings.
O efetividade.net esá fazendo uma promoção interessante, da qual eu decidi participar.
A idéia é: o que você carrega na sua mochila de trabalho?
Ok, não é exatamente minha mochila de trabalho – está mais para a minha mochila de carregue-pra-todo-lugar-e-seja-feliz – mas ainda é a minha mochila.
A idéia da minha companheira de costas é carregar tudo o que eu posso precisar em situações realistas, então, aceito sugestões do que mais carregar. Blusa normalmente vai no corpo e guarda-chuva na mão. Sei que preciso de um canivete… mais sugestões?
Pelas regras da promoção, tenho que explicar tudo o que fica dentro da mochila. então vamos lá, da esquerda para a direita…
- A mochila propriamente dita. Uma Targus que todo mundo tem, mais surrada do que não sei o que, mas ainda assim uma mochila.
- Um caderno, de papel mesmo. Ainda não inventaram nada melhor para anotar.
- Pocket Book. Nem sõ de trabalho vive o homem, além de a série Diskworld ser demais.
- Meu HD externo. Não, não é um livro ficando velho. É o meu enclosure de notebook. Vou postar o how-to dele um dia desses… Mas acredite: 320 GB de pura diversão.
- Calculadora científica. Pois eu ainda preciso dessas coisas na faculdade, fazer o que?
- iPod 80 Gb. Não gosto da Apple, mas, na época, esse era o único com esa capacidade
- Contas a pagar. nada a declarar
Na fileira de cima…
- Notebook Dell Studio: não consegui o dinheiro do Windows de volta, não importa o que eu dissesse
- Mouse sem fio dentro da capinha: bonitinho e leve.
- Pasta e escova de dentes: É, precisa.
No bolo de baixo, da esquerda para a direita…
- Estojo escolar: lapiseiras, canetas, estilete, borracha… essas coisas
- Carregador do notebook: precisa, fazer o que? Tem também um adaptador na ponta dele, para lugares com tomadas antigas.
- Estojo de chaves de fenda e phillips: falta uma, está no estojo.
- D20: Achei!
- Cabos: o preto carrega o celular, o branco, o iPod, o adaptador no meio serve para ambos.
- Câmera: da minha irmã. Nem sei por que estava na minha mochila.
- Adaptadores micro SD: posso precisar, sabe como é.
- Pen drive: 8GB. Até hoje não sei se é falso, mas funciona.
- Régua: surrada… está aí desde o colegial
- Pacote de pipocas: vai que rola um cineminha?
Bem, é isso… daqui a pouco publico isso no Twitter… aí é só cruzar os dedos e torcer…
Proto
Um amigo me falou que queria levar sua poesia a sério. Eu não ri imediatamente, mas devo dizer que ri um bocado depois. Quem consegue levar poesia a sério?
Hoje, a palavra cantada vale muito menos do que a palavra em prosa. Isso por que a palavra em prosa vale menos a cada dia. A palavra é vendida e corrompida por aqueles que ganham algo. Torna-se bandida, quando na verdade é vítima. E Todos a tratam com descaso.
Mas a palavra cantada, essa sim, é viloneada: precisa ser escondida, em meio à prosa, ou se torna bandida, quando não é perdida, simplesmente ignorada. E a prosa reina suprema, em um mundo de verdades pequenas, rimas mal-feitas e corrupções políticas, mentiras alígeras e maquinações serenas.
Uma pena. Que certeza haveria em uma poesia fugida?
Que seriedade traria uma rima escondida
Numa frase sombria e um ritmo esguio?
Que seriedade traria uma poesia
De grande motivo e pouco coração
Num mundo frio em que poucos são
Os que tem coragem para sair e ver
Que quem precisa ser sério
Não é a poesia e seu meio.
Mas o fraco você
Faz tempo que eu não posto nada. Então, aqui vai algo muito, muito bom: Jack Bauer interroga Papai Noel.
(PS: como sempre, sem legendas)
















