rant
Inspirado por/em resposta a Ainda Morremos por um Homem
Somos senhores de nosso universo. Cada homem (no sentido masculino da palavra) é rei de seu próprio castelo, é controlador absoluto daquilo que ele considera seu: a bola, o computador, a casa, a empresa, o mundo. É nosso. Melhor: é meu, ou é seu, nada nunca é dividido num mundo onde o controle é o objetivo. Mas fraquejamos.
Em cada buquê de flores que levamos, em cada chocolate comprado, em cada jóia e cada elogio. Fraquejamos, sentimos falta, queremos agradar, construir mais um império ao redor delas, só para que seja um presente. Somos românticos, somos distantes. Somos nós mesmos e todos os outros, a rédea e a rede, o carinho e a bronca, o mal e o bem, o querido, o desejado, o malquisto, o fraco, o incompleto…
Somos a outra metade.
Elas queimaram sutiãs, fizeram revoluções. Podem votar, ter empresas, filhos sozinhas, estruturas que antes nos eram reservadas: nós mudamos nosso impérios para que elas pudessem ter os delas. E tantas mulheres o fizeram: conquistaram mais do que muitos homens sonhavam, tem impérios, rédeas e redes, belezas e fraquezas, espinhos e perfumes, venenos e panacéias. Elas se tornaram iguais a nós. Só para continuarem sendo exatamente o que eram.
Mas só por que nós continuamos sendo o que éramos.
Quem liga para todos os sutiãs queimados quando elas continuam aos nossos pés? Quem liga para todos os impérios que construímos quando continuamos aos pés delas? E quem liga pra tudo isso quando ainda há aqueles que não tem ninguém nos pés, nem estão nos pés de ninguém? Há milhares de pessoas caindo das margens da sociedade, em pares que simplesmente não faziam sentido quando sutiãs foram queimados. Há milhares de pessoas singulares e solteiras, que não seguem os planos de impérios de qualquer tamanho. Há centenas de exceções para todas as regras e nós, meras partes da coisa toda, querendo decidir se vestidos brancos são damas de ferro ou presentes sublimes, ou definir se carros esporte são necessários ou acessórios?
Nós continuamos sendo metades. Homens (como um sexo) continuam precisando de mulheres (como outro sexo). Essa é a humanidade, a parte biológica e inescapável de tudo. Se você vai se derreter (ou deixar de) por uma menina de piercing, um cara com camisa xadrez, ou por absolutamente nada, isso é para você decidir e lidar. Encontre quem/o que (ou o plural disso) amar e continue a partir daí.
O resto, como dizem, é história.
Humanos… sempre querendo marcar os fatos com sutiãs queimados ou pregos em pulsos. Nossa vã filosofia já foi tão mais capaz…
Eventualmente, os trabalhos de todo mundo serão revisados. É natural: você escreve algo que parece maravilhoso, e, antes que possa publicar isso para o mundo, alguém vem dar os pitacos e provar por que aquilo que você julgava o novo Ensaio sobre a Cegueira é, na verdade, uma matéria da Veja. Então, a não ser que você tenha um blog e possa escrever as babozeiras que te der na telha, você vai ser revisado, certo?
Errado.
Uma discussão recente com um amigo abriu algumas portas na minha mente. Algumas coisas que mudaram a minha menira de ver grande parte deste momento na minha vida. Antes de mais nada, vamos à discussão:
Recentemente eu li que haviam lido (e, portanto, fui ler) um posto do Luli Radfahrer, em que ele comenta sobre “falar em 600 o que se pode dizer em 5″, referindo-se a livros que dizem coisas de menos em espaço demais. Acabei de ler mais um livro assim: A Pílula da Liderança.
A chuva caia torrencialmente, deixando o solo menos sólido, a armadura mais pesada, as armas menos úteis. Muitos diriam que seria loucura atravessar tal intempérie. Muito disseram, gritaram, imploraram para que ele ouvisse. Mas ideias têm uma maneira interessante de se tornarem inúteis: basta apenas um ouvido que as ignore.
A acontecimento do #forasarney (evento de protesto político que tomou o Twitter por algumas horas e ganhou uma repercurssão impressionante) tem um quê de hilário.
Este é um post que caberia muito mais no disgovernance.com (eu ainda não desisti do projeto!) do que aqui. Se devidamente configurado, talvez seja repostado.
Eu sempre gostei de dar aula. Por mais abismalmente estúpido que isso possa parecer, eu gosto de todos os passos do ensino: preparar o material didático, imprimir as apostilas, atualizar as provas, enfim, tudo.Sempre gostei da intereação com os alunos, de trocar experiências e de adaptar o meu discurso a cada tipo de realidade. Dei aulas particulares, dei aulas para grupos de 35 pessoas, assim como palestras para grupos de 200. CIOs, analistas de TI, gerentes de suporte, gerentes de TI, auditores sem conta, analistas de segurança, superintendentes: todos foram meus alunos e a maior parte deles passou nas provas oficiais. E nenhum deles tinha me tirado de minha estrutura. Até agora.
Hoje eu tive a maior noção até o momento do quão complicado é escrever um blog.
Este pouco sério e muito poco relevante blog é um passo inicial, um “acostume-se com a idéia” para um blog muito mais sério e muito mais relavante que seria o Disgovernance – um blog com um olhar irônico e cético sobre a governança corporativa.
Hoje, um fato especial me deixou comsincero medo de escrever algo mais sério.
O blog do HeliOS (sistema operacional linux-based que eu conheço bem pouco, devo admitir) teve um “pequeno” problema com uma professora americana, cuja paz um post transformou em pedaços. O dano só não foi maior pois o blogueiro, muito bem intencionado, não divulgou dados sobre a professora em questão. Apenas um primeiro nome.
O dano foi longe, mas a história acabou bem. Aparentemente, ela o perdoou, ele instlou linux no pc dela e o mundo é um lugar bonito.
Mas nem tanto assim… ME assustou.
Claro que eu começaria muito menor e que não seria o criador do HeliOS. Mas poderia ter descambado muita coisa, ainda assim.
Disgovernance, você acabou de ganhar dois dias na geladeira…
Eu não sou uma ovelha. Não quero, não preciso e não terei uma entidade, sobrenatural ou não, controlando os passos da minha vida sem minha escolha. Em suma:
O senhor é meu pastor e eu pago um salário mínimo.
Este é o único tipo de pastor que eu quero ter. Um que pastoreie minhas ovelhas, não ME pastoreie.
Alguns pensamentos ocorrem em momentos pouquíssimo apropriados. Este é um deles. Peguei-me refletindo sobre o que é a vida adulta e qual é a real diferença para uma vida de adolescente. Dizem que a adolescência é a idade da irresponsabilidade, é quando os problemas são muito menores do que parecem, quando o impacto (seja ele material ou não) de qualquer ato errôneo é absorvido por outrem, quando… você entendeu. A vida adulta, por contraste, é quando não há mais rede de segurança, exceto aquelas que você mesmo se impôs, quando você está sozinho e seus erros podem, realmente, destruir a sua vida como um todo.
O que eu absorvi com isso? Que a minha geração está tendo duas adolescências, com um breve período de vida adulta no meio. Nós vivemos nosso colegial (alguns, nem isso) de vida adolescente, nos embrenhamos em experimentação (muito mais jovens do que a geração anterior) e descobrimos algo de que gostamos. Nos aprofundamos naquilo, e logo começamos a ganhar algum dinheiro. Dinheiro é poder, e com poder vem responsabilidade (we keep on, true believers!), e a noção de cartões de crédito, contas bancárias, algum medo do mundo -misturado com uma boa dose de orgulho de nos distanciarmos de nossos pais – nos faz ganhar alguma responsabilidade em um curto espaço de tempo. Mas isso tudo é apenas temporário. Nossas almas de adolescente ainda têm um truque preparado.
Logo em seguida geralmente percebemos que podemos controlar com alguma facilidade o que precisamos para que ganhemos alguma paz de espírito. E, como é natural do ser humano, ganha a paz de espírito, queremos saciar desejos, que é onde começa a segunda adolescência: ainda com pais que nos suportam, ou com outras redes de segurança armadas, engajamos em um segundo período de experimentação, dando-nos alguns luxos e privilégios, brincando um pouco com o que a vida tem de fantástico, com o que antes não podíamos pagar e não pagariam por nós. Completamos coleções, damos presentes, realizamos pequenos e grandes sonhos. Vivemos uma “adolescência adulta” enquanto tentamos aprender quem nós realmente somos. Um dia essa segunda adolescência, acaba, é claro.
Meu único problema com o final desta segunda adolescência é que eu ainda não passei por isso. Talvez agora, talvez em alguns meses. Talvezs nunca. Mas, quando acontecer, farei um post (que espero que seja) interessante sobre isso.
