stupid
Iniciar a trilha,
Para voltar pra casa.
Para voltar a ser nada,
Ao perder uma amiga.
Para perder a jornada,
Ou tudo isso junto
Eu lhe suplico e pergunto:
Qual o caminho mais curto?
Já perdi a estrada no horizonte
E já não me resta tanto tempo.
Já não aguento a entoada,
Então, me conte:
Que história há aqui dentro?
Meu peito já transborda de silêncio,
Enquanto me afogo em barulhos.
Nesse eterno leito, já não me aguento:
Me levanto, e sigo o caminho mais curto.
Passos largos, é longa a caminhada.
Mas ainda tenho coragem, e a decisão está tomada.
Que venham as pedras! As espinhos já me furam.
Mas não me importo: este é o caminho mais curto.
E ao terminar a grande empreitada
Sei que lá estará ela, minha amada.
Nada mais importa: é a última balada:
Do apressado, que quis o mundo.
Mas sempre, pelo caminho mais curto.
Deuses! Eu tinha esquecido como era difícil martelar as sílabas! Já fazia mais de um ano que eu não escrevia nenhuma poesia.
Se tudo deu certo, pode-se encontrar três significados: o do jovem, apressado pelo futuro, o do velho, temeroso pela morte e… um terceiro, que espero ler nos Comments.
Eventualmente, os trabalhos de todo mundo serão revisados. É natural: você escreve algo que parece maravilhoso, e, antes que possa publicar isso para o mundo, alguém vem dar os pitacos e provar por que aquilo que você julgava o novo Ensaio sobre a Cegueira é, na verdade, uma matéria da Veja. Então, a não ser que você tenha um blog e possa escrever as babozeiras que te der na telha, você vai ser revisado, certo?
Errado.
Alguns pensamentos ocorrem em momentos pouquíssimo apropriados. Este é um deles. Peguei-me refletindo sobre o que é a vida adulta e qual é a real diferença para uma vida de adolescente. Dizem que a adolescência é a idade da irresponsabilidade, é quando os problemas são muito menores do que parecem, quando o impacto (seja ele material ou não) de qualquer ato errôneo é absorvido por outrem, quando… você entendeu. A vida adulta, por contraste, é quando não há mais rede de segurança, exceto aquelas que você mesmo se impôs, quando você está sozinho e seus erros podem, realmente, destruir a sua vida como um todo.
O que eu absorvi com isso? Que a minha geração está tendo duas adolescências, com um breve período de vida adulta no meio. Nós vivemos nosso colegial (alguns, nem isso) de vida adolescente, nos embrenhamos em experimentação (muito mais jovens do que a geração anterior) e descobrimos algo de que gostamos. Nos aprofundamos naquilo, e logo começamos a ganhar algum dinheiro. Dinheiro é poder, e com poder vem responsabilidade (we keep on, true believers!), e a noção de cartões de crédito, contas bancárias, algum medo do mundo -misturado com uma boa dose de orgulho de nos distanciarmos de nossos pais – nos faz ganhar alguma responsabilidade em um curto espaço de tempo. Mas isso tudo é apenas temporário. Nossas almas de adolescente ainda têm um truque preparado.
Logo em seguida geralmente percebemos que podemos controlar com alguma facilidade o que precisamos para que ganhemos alguma paz de espírito. E, como é natural do ser humano, ganha a paz de espírito, queremos saciar desejos, que é onde começa a segunda adolescência: ainda com pais que nos suportam, ou com outras redes de segurança armadas, engajamos em um segundo período de experimentação, dando-nos alguns luxos e privilégios, brincando um pouco com o que a vida tem de fantástico, com o que antes não podíamos pagar e não pagariam por nós. Completamos coleções, damos presentes, realizamos pequenos e grandes sonhos. Vivemos uma “adolescência adulta” enquanto tentamos aprender quem nós realmente somos. Um dia essa segunda adolescência, acaba, é claro.
Meu único problema com o final desta segunda adolescência é que eu ainda não passei por isso. Talvez agora, talvez em alguns meses. Talvezs nunca. Mas, quando acontecer, farei um post (que espero que seja) interessante sobre isso.